“O populismo é uma ameaça, põe em causa a democracia representativa”

Sob o título “A Ascensão do Populismo no Cenário Político Europeu”, realizou-se na Universidade de Santiago uma conferência que esteve a cargo do professor da Universidade Lusófona de Lisboa, Doutor José Filipe Pinto.

Durante a sua explanação, o professor procurou explicar o quê que a comunidade científica entende por populismo, falou da sua definição do populismo e propôs debater sobre o peso do populismo na união europeia e esclarecer se ele representa uma ameaça ou uma oportunidade.

Na lógica do especialista, “o populismo representa uma forma de articulação do discurso visando a luta pela hegemonia, concebida prioritariamente na dimensão política”.

Segundo o José Filipe Pinto, a imperfeição da democracia é o resultado do populismo. “A democracia nunca será perfeita. Apesar de haver 20 democracias, são quase 19 democracias no mundo que são consideradas perfeitas. A democracia não tem quem a defenda. Ela é que se deve defender. E a democracia nunca é um dado adquirido, o que quer dizer que a ela é uma flor que se precisa regar todos os dias.

O professor acrescentou que será necessário “um governante fazer cada ato, como se daquele ato dependesse o futuro da humanidade. E acontece que nós estamos habituados a que muitos daqueles que chegam à cadeira do poder não respeitam o desejo e a vontade da promessa que os levaram lá”.

Questionado sobre a importância de trazer este tema para uma academia, Pinto respondeu que é muito relevante, porque a universidade não serve apenas para cumprir aquelas que foram tradicionalmente suas funções.

“Há uma quarta missão da universidade. Essa missão é teorizar o globalismo em que nós vivemos e o populismo é uma das marcas desse globalismo, o que significa que o globalismo é o cisne negro de carro pobre; significa que todos os cisnes são brancos. Só que, de repente, aparece um negro. Ao aparecer esse negro, é importante percebermos porquê que apareceu esse negro e o quê que ele tem de subjacente. Essa é a missão da universidade.

E acrescentou: “o importante é percebermos que hoje a circunstância não é o momento populista, como eu disse. Mas é uma fase em que o populismo tomou conta parcialmente da agenda europeia e, por isso mesmo, a universidade não pode passar ao lado desta temática,

porque é à universidade que cabe encontrar respostas não provisórias (que serão imperfeitas) mas que resultam de investigação, porque o grande mal é ficarmos presos ao senso comum, a formas preconceituosas que verdadeiramente não permitem conhecer a realidade”.

“Cabe à universidade alertar a sociedade civil, desmistificar o que é o populismo, e explicar que esta é uma luta em que a universidade tem de estar empenhada, porque não é uma luta igual a uma luta que corresponde a criar falsas ilusões”.

Portanto, o professor termina afirmando que o populismo é uma ameaça, põe em causa a democracia representativa e faz a apologia da democracia iliberal e, por isso mesmo, considera: populismo é um fenómeno.

 

Andreia Pereira